Eu já não tenho tempo a perder, não posso parar para ouvir críticas destrutivas e nem desanimar pelo cansaço, tenho é que ser forte e prosseguir.
Eu já não tenho tempo a perder, não posso sentar a beira do caminho para criticar quem passa e nem me desgastar na tentativa tola de saber quem tem razão.
Preciso contar as estrelas e contemplar o horizonte nem que isso pareça sem sentido para tantos. Preciso reler meus livros preferidos para entender como os enxergarei hoje, tanto tempo após tê-los lido e interpretado.
Eu já não tenho tempo a perder com a defesa juvenil de anormalidades revestidas de normalidades e nem com reclamações insensatas que maximizam preconceitos. Venho de uma época em que era mais fácil sobreviver como ?normal? e se achar feliz, minhas reclamações desmedidas acabavam sempre numa pia de louças sujas (que precisavam inclusive serem enxugadas antes de guardadas).
Preciso dar um jeito de convencer meus filhos a serem mais simples, mas quer saber? Deixa para lá, pois eu já não tenho tempo a perder ensinando coisas que a própria vida fará muito melhor que eu.
Sou uma mulher madura e meus passos seguem seguros por onde eu for.
Minha caminhada está ainda muito longe dos derradeiros passos e se meus pés cansarem, já sei: simplesmente me sentarei a beira do caminho e tudo bem, logo seguirei ávida pela vida que ainda me tem muito a ensinar.
Não preciso mais matar um leão a cada dia para sobreviver, agora tenho a sabedoria de entender o que preciso, e Deus como preciso de tão menos do que pensava há pouco!
Seguir com a calma que jamais tive nunca me fez tão bem.
Permanecer serena nas intempéries e caminhar sem tanta preocupação com o que os outros pensam de mim me aliviou demais o peso da bagagem...
Insistir nas coisas que não deram certo? Desistir dos sonhos que me fazem bem? Debater com extremistas? Desacreditar da fé?
Correr contra o tempo? Vangloriar-me de conquistas inúteis? Me esforçar para agradar as pessoas?
Não. Definitivamente não. Como mulher madura que sou meus passos seguem seguros e meus pés ainda me agradam muito.
Vou buscar coisas novas, desistir dos pesos desnecessários, acreditar no que me faz bem, falar uma vez só e sem a insistência juvenil. Se não puder convencer, paciência, já não quero mais agradar o mundo.
Eu já não tenho tempo a perder.
Preciso ser feliz com a maturidade, desfrutar seus benefícios, pois meus passos não precisam mais de saltos tão finos, e, por onde eu for já não carrego comigo o peso de desejar ser a mais bonita da festa, hei de passar despercebida.
Só quero ser feliz comigo mesmo. Deixo as grandes batalhas para os bons lutadores. Bom mesmo é o que eu já aprendi das minhas próprias lutas.
Abraço no seu coração!

